Carrinhos de Autorama

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Published on: 28 de julho de 2009

África do Sul, 05 de março de 1977. Um fiscal atravessa a pista carregando um extintor de incêndio. Ele é atropelado por Tom Pryce, que vinha em altíssima velocidade com seu F1 da Shadow. No acidente, morrem o fiscal de 18 anos de idade e o piloto, atingido na cabeça pelo extintor de incêndio carregado pelo jovem.

Elkhart Lake, EUA, 03 de agosto de 2006. O brasileiro Cristiano da Matta, piloto da Champ Car, está em alta velocidade e atropela um cervo que atravessa repentinamente a pista. Cristiano tem hematoma no cérebro, fica entre a vida e a morte durante semanas, mas sobrevive.

Brands Hatch, Inglaterra, 19 de julho de 2009. O pneu traseiro esquerdo do carro de Jack Clarke sai quicando na pista, após um acidente sem maiores proporções e atinge a cabeça do piloto inglês Henry Surtees, de apenas 18 anos, que vem a falecer.

Hungria, 25 de julho de 2009. Uma peça escapa do carro de Rubens Barrichello e acerta a cabeça de Felipe Massa, que desmaia e acaba batendo sua Ferrari. A peça traz danos ao capacete e à cabeça do piloto.

O que esses quatro acidentes têm em comum são a fatalidade, o imponderável, algo que chega às raias do absurdo.

Como pode um fiscal atravessar a pista carregando um extintor que acaba por matar o piloto? Quem imagina ver um cervo pular na frente de um carro de corrida? O que faz com que alguém esteja no lugar errado em um momento tão errado? A mão de Deus, o destino, o acaso? Existe uma força sobrenatural por trás disso ou tudo não passa simplesmente de coincidência?

Seja o que for, a grande verdade é que nas corridas e na vida não passamos de carrinhos de autorama. Temos a falsa impressão de estarmos no controle, mas quem manda mesmo é o imponderável, o acaso, o destino ou, para os religiosos, a mão de Deus, que decide, por razões incompreensíveis, quem fica ou quem vai.

Abrindo parênteses, não estaria na hora de estudarem uma proteção maior para os pilotos de monopostos, tipo aquele vidro que existe nos aviões de caça? Sem dúvida nenhuma, nas corridas atuais a cabeça é o ponto mais frágil no momento de um acidente. Senna também morreu devido a ferimentos no cérebro. Subiram então as laterais dos carros, deixando os pilotos mais escondidos. Mas, como se vê, ainda não é o suficiente.

Torço muito por Felipe Massa. Gosto de seu estilo de pilotar, de sua garra, de sua vibração. Ninguém merece o que aconteceu com ele. Porém, quem disse que os fatos da vida têm a ver com merecimento e justiça? Tudo depende do que ou de quem está com o controle do autorama. Somos apenas passageiros, brinquedos na mão do destino…

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